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Comprar terra no Chaco sendo estrangeiro: a lei da faixa de 50 km

Brasileiro, argentino ou boliviano pode comprar terra no Chaco paraguaio? Entenda a Lei 2.532/2005, a faixa de 50 km e como checar o imóvel antes de pagar.

Muitos compradores de terra no Chaco paraguaio vêm do Brasil e da Argentina. A terra é mais barata, os campos são grandes e o Corredor Bioceânico aproxima a região dos portos. Mas antes de fechar negócio existe uma regra que pode anular a compra inteira: a Lei nº 2.532/2005, que criou a zona de segurança fronteiriça do Paraguai.

Este guia explica, em linguagem simples, o que a lei diz, quem ela atinge, por que ela importa tanto no Chaco e o que verificar antes de pagar qualquer sinal.

O que diz a Lei 2.532/2005

A lei, promulgada em fevereiro de 2005, define como zona de segurança fronteiriça a faixa de 50 quilômetros adjacente às linhas de fronteira terrestre e fluvial, dentro do território paraguaio.

O ponto central está no artigo 2: salvo autorização por decreto do Poder Executivo, fundada em razões de interesse público (a própria lei cita atividades que gerem emprego na zona), os estrangeiros naturais de países limítrofes e as empresas formadas majoritariamente por eles não podem ser proprietários, condôminos ou usufrutuários de imóveis rurais nessa faixa.

Outros pontos importantes:

Quem é atingido (e quem não é)

A restrição vale para cidadãos dos países vizinhos do Paraguai: Brasil, Argentina e Bolívia, e para empresas em que eles são maioria. Um comprador alemão, norte-americano, chinês ou de outro país não limítrofe não é alcançado por esse artigo da lei. Paraguaios também não.

A regra trata de imóveis rurais. Em fevereiro de 2026, o advogado Oscar Mersan, especialista em investimento estrangeiro, lembrou ao jornal Última Hora que imóveis urbanos (como lotes de até 360 m² com conta cadastral urbana) seguem as regras comuns. Na leitura dele, a proibição também alcança o arrendamento de imóveis rurais na faixa, e o Registro Público não inscreve transferências que violem a lei, o que deixa o comprador sem proteção registral.

Por que isso pesa tanto no Chaco

Os três departamentos do Chaco têm fronteira internacional:

Como a lei conta também a fronteira fluvial, campos à beira do rio Paraguai ou do Pilcomayo podem estar dentro da faixa mesmo parecendo "longe de tudo". Já áreas do interior, como boa parte do Chaco Central, ficam fora dos 50 km, mas isso só se confirma com as coordenadas do imóvel.

O que verificar antes de comprar

Se você é brasileiro, argentino ou boliviano (ou compra por uma empresa com sócios dessas nacionalidades), faça esta checagem antes de assinar qualquer compromisso:

Para o passo a passo completo da compra (documentos, escritura, impostos), veja nosso guia Como comprar terra no Paraguai.

Contexto: o debate sobre terra e estrangeiros

O tema está em alta na região. Em julho de 2026, o jornal argentino La Nueva, ao comparar as regras do Mercosul, citou estudos que estimam que entre 14% e 19% do território paraguaio pertence a proprietários estrangeiros, chegando a até 60% em alguns departamentos de fronteira. É um assunto sensível no Paraguai, e por isso vale a pena fazer tudo certo desde o início.

A boa notícia: fora da faixa de 50 km, o Chaco tem milhões de hectares onde um comprador estrangeiro pode adquirir terra com segurança, seguindo o processo normal.

*Informação geral, não é assessoria jurídica. Consulte um advogado paraguaio antes de comprar.*

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*Fontes: Lei nº 2.532/2005 (Biblioteca e Arquivo Central do Congresso Nacional do Paraguai, texto oficial); Última Hora (fevereiro/2026); La Nueva (julho/2026).*

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